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VENEZIA

24/12/2013

Vou tentar retratar nesta página, um pouco da história e um pequeno detalhamento sobre os principais pontos turísticos de Veneza (com minhas fotos para ilustrar).

 

Veneza é uma cidade única…

 

Com beleza incomparável, é uma cidade flutuante, erguida no meio de um lago, com ruas aquáticas onde veículos (o que inclui ambulâncias, carros funerários, ônibus etc.) são barcos, tudo circundado por vielas, becos, pontezinhas e praças com todos aqueles dourados e surpreendentes detalhes escondidos em sua arquitetura bizantina. Tudo fruto da miscelânea de povos que passaram pela cidade.

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A cidade foi formada em pequenas ilhas, dunas de areia da laguna de Veneza, no golfo de Veneza, a noroeste do mar Adriático. Habitantes de cidades próximas logo se refugiaram lá para se proteger dos bárbaros que vinham tomando conta da Europa.

Foi uma das cidades mais importantes da Europa graças ao seu poder naval garantido pelo Arsenal, com mercado riquíssimo e arte sofisticada em um império de influência mundial comandado pelos doges.

Por sorte, Veneza permaneceu quase incólume a muitas guerras e vandalismos que destruíram o patrimônio de tantas outras.

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A cidade de Veneza sempre foi chamada de Sereníssima República, pela tradição histórica, e pelo seu estatuto de cidade livre, abrigando todos os perseguidos do mundo (os primeiros ghettos de judeus se estabeleceram lá).

Enchentes são comuns na cidade, principalmente nos últimos cem anos, em que a cidade afundou quase 23 centímetros: 7,5 cm em função da elevação do nível das águas e mais de 15 cm em razão da compressão natural do solo somada à exploração de poços artesianos. Quando a maré sobe mais de 80 cm, locais mais baixos, como a Piazza San Marco, alagam.

A gastronomia veneziana é uma atração, principalmente para os amantes dos sabores do mar. Os Bacari são os bares característicos da cidade onde você consome tramezzini (delicados sanduíches triangulares com farto recheio) ou outros quitutes em pé no balcão, juntamente com vinho ou Spritz – a bebida popular local, drinque gelado especialmente popular no verão, elaborado com prosecco (ou vinho branco) + Aperol ou Bitter + club soda ou água com gás.

 

Algumas atrações de Veneza:

 

GONDOLA

As gôndolas são embarcações típicas e muito antigas que, por muito tempo, foram os principais meios de transporte de Veneza. Com a chegada dos barcos a motores, as gôndolas passaram a ser vistas como um grande atrativo turístico, sobretudo pelo caráter romântico do passeio.

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Cada gôndola faz um trajeto específico, dependendo do seu ponto de partida. Assim sendo, cada gondoleiro precisa tornar o seu percurso atrativo e para isso, utilizam toda a sua criatividade para contar fatos históricos e apontar locais importantes localizados ao longo do seu trajeto.

Há 700 anos, havia em torno de 7 mil gôndolas em Veneza, segundo a associação de gondoleiros Ento Gondola, mas o uso como transporte diário foi substituído por barcos mais modernos. As 433 restantes são agora, sobretudo, atrações turísticas.

 

CARNEVALE DI VENEZIA

 

carnaval de Veneza surge a partir da tradição do século XVII, onde a nobreza se disfarçava para sair e misturar-se com o povo. Desde então as máscaras são o elemento mais importante deste carnaval.

A festa carnavalesca de Veneza tem duração de 10 dias. Durante as noites realizam-se bailes em salões e desfiles pela cidade.

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Os trajes que se usam são característicos do século XVIII, e são comuns as máscaras nobres, caretas brancas com roupa de seda negra e chapéu de três pontas. Desde 1979 foram sendo somadas outras cores aos trajes, embora as máscaras continuem a ser brancas, prateadas e douradas.

 

 

PIAZZA SAN MARCO

 

Piazza San Marco é a praça principal de Veneza. Napoleão chamava a Piazza San Marco de  “A sala da Europa”. É um dos poucos grandes espaços urbanos na Europa, onde a voz humana prevalece sobre os sons do tráfego motorizado, que se limita aos canais de Veneza.

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A Piazza San Marco é o ponto referencial e local de encontro em Veneza, é extremamente popular entre os turistas, fotógrafos e os pombos de Veneza. A Piazza se originou no século IX como uma pequena área na frente da original Basílica de São Marcos. Foi ampliada a sua dimensão e forma atual em 1177, quando o Rio Batario que limitava a oeste, e uma doca que isolava o Palazzo Ducale a partir da praça, foram preenchidos. O rearranjo foi para a reunião do Papa Alejandro III e o imperador Frederico Barbarossa.

A Praça sempre foi vista como o centro de Veneza. Foi o lugar onde se localizavam todos os cargos importantes do Estado de Veneza, e tem sido a sede do arcebispado, desde o século XIX. Ela também foi o foco de muitos festivais de Veneza. É um lugar muito popular na Itália até hoje.

 

A parte da Praça entre o Palacio Doge e a Biblioteca Marciana, biblioteca Jacopo Sansovino, é a Piazzetta San Marco.  Está aberta para a lagoa, na foz do Canal Grande, e é conhecida pelas colunas de os dois patronos de Veneza, Marco e Todaro, que se levantam no borde da água: neles esta o leão de São Marcos e estátua de São Teodoro de Amasea, ” Santodaro” para os venezianos, que está em pé sobre o crocodilo sagrado do Egito.

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Theodore de Amasea é menos conhecido que o Evangelista: ele queimou o templo de Cibele como um ato de piedade cristã e foi martirizado por isso. Estas colunas constituem a porta da entrada oficial de Veneza, quando não havia hóspedes oficiais da cidade, o jogo era permitido no espaço entre as colunas. Foi também o local de execuções na cidade.

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Cruzando toda a extensão de água (a Bacino di San Marco) está a Ponta della Salute à esquerda de Baldassarre Longhena de Santa Maria della Salute. A Dogana di mare (Alfândega) deu seu nome a todas as alfândegas italianas, quanto Veneza também teve o Arsenal original. A Piazza San Marco é o ponto mais baixo em Veneza, e como resultado, durante o Acqua Alta, as tempestades do Adriático, ou até mesmo chuva forte, é o primeiro em inundar-se. Água do esgoto na praça verte diretamente ao Grande Canal. Isto é ideal durante chuva pesada, mas durante o acqua alta tem o efeito inverso, com a água do canal surgindo na praça.

 

 

 BASILICA DI SAN MARCO

A Basilica di San Marco é a catedral de Veneza, é a igreja mais famosa da cidade e um dos exemplos mais conhecidos da arquitetura bizantina. Encontra-se na Piazza San Marco (no sestiere ou distrito San Marco) adjacente e conectado ao Palazzo Ducale. Originalmente era a “capela” dos governantes de Veneza, e não a catedral da cidade. Desde 1807 tem sido a sede do Patriarca de Veneza, arcebispo da Arquidiocese Católica Romana de Veneza. Por seu desenho opulento, dourados mosaicos bizantinos e seu status como um símbolo de riqueza e poder de Veneza, a partir do século XI o edifício era conhecido pelo nome de Chiesa d’Oro (Igreja de ouro).

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A primeira Basílica de São Marcos foi um edifício temporário no Palácio dos Doges, construído em 828, quando mercadores venezianos roubaram as supostas relíquias de São Marcos Evangelista de Alexandria. Esta foi substituída por uma nova igreja no seu lugar presente em 832 do mesmo século, das mesmas datas é o Campanário São Marcos (Campanile). A nova igreja foi incendiada durante uma rebelião em 976, reconstruída novamente em 978 para formar a base da atual basílica, desde 1063. A basílica foi consagrada em 1094, mesmo ano em que o corpo de São Marcos foi supostamente reencontrado num pilar por Vitale Faliero, doge do momento.

O edifício também possui uma torre baixa (agora habitação do Tesouro de São Marcos), que alguns pensam ter sido parte do original Palácio do Doge. Dentro da primeira metade do século XIII o vestíbulo e a fachada foram construídos, a maioria dos mosaicos foram completados e os domos foram cobertos com mais madeira, cobertas de chumbo, a fim de misturar-se com a arquitetura gótica do remodelado Palácio Doge.

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O exterior da basílica é dividido em três registros: inferior, superior e cúpulas. No registro inferior da fachada há cinco portais em forma de arco, envolvidos por colunas de mármore policromado, abertos ao vestíbulo por portas de bronze. Acima do arco da porta central há três baixo-relevos da arte românica.

O ciclo é emoldurado por um mosaico dourado do século XIX (Juízo Final), que substituiu um danificado com o mesmo assunto (durante os séculos muitos mosaicos tiveram de ser substituídos dentro e fora da basílica, mas os assuntos nunca foram alterados). Mosaicos sobre histórias das relíquias de São Marcos estão nas lunetas dos portais laterais, o primeiro à esquerda é o único da fachada preservada desde o século XIII.

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No registro superior, a partir do topo dos arcos ogivais, as estátuas das Virtudes Teológicas e Cardeais, quatro Santos Guerreiros e São Marcos vigiam a cidade. Acima da grande janela central da fachada, embaixo de São Marcos, o Leão Alado (seu símbolo) é o livro citando “Pax Tibi Marce Evangelista Meus” (A paz esteja convosco meu evangelista Marcos). Nas lunetas dos arcos conopiais laterais há quatro mosaicos dourados renovados no século 17. No centro da varanda os cavalos gregos dão frente á praça.

Os Cavalos de São Marcos foram acrescentados à basílica em torno de 1254. Eles datam da Antiguidade Clássica; alguns crêem que antes adornaram o Arco de Trajano. Os cavalos foram exibidos durante muito tempo no Hipódromo de Constantinopla, e em 1204 o Doge Enrico Dandolo mandou-os de volta para Veneza, como parte do saque de Constantinopla na Quarta Cruzada. Eles foram levados a Paris por Napoleão em 1797, mas retornaram a Veneza em 1815. Depois de uma longa restauração, desde a década de 1990 foram mantidos no Museu de São Marcos (no interior da Basílica). Os cavalos da fachada da catedral são réplicas de bronze.

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Torre dell’orologio di San Marco é uma torre com um relógio situada na Praça de São Marcos em Veneza, ao lado do Procuratie Vecchie. Abriga o relógio mais importante da cidade, o Relógio de São Marcos (também conhecida como a Torre dell’Orologio ou Torre do Relógio dos Mouros).

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Foi construído como uma exibição da riqueza de Veneza e como uma ajuda para os marinheiros que partiam em viagem desde o Grande Canal. O prédio foi projetado por Mauro Codussi e construído entre 1496 e 1499. Ele tem cinco vãos, sendo o vão central o mais largo. Este vão tem uma entrada de dois andares, com o grande relógio acima, rematado por uma torre de um andar com uma representação do Leão de São Marcos contra o céu noturno, enquanto no topo duas figuras de bronze escurecido, que semelham gigantes mas são conhecidos como os “mouros” tocam o sino a cada hora.

O mecanismo do relógio que data de 1499 foi restaurado muito desde então, aciona o relógio principal, que consiste em várias esferas concêntricas. A ultra periférica mostra os número 1 até 24 em algarismos romanos, e uma mão decorada com uma representação do sol indica a hora. A segunda marcação descreve os doze signos do zodíaco, igual do que os mostradores interiores, em talha dourada sobre um fundo azul esmalte. As esferas interiores indicam as fases da lua e do sol.

O mecanismo também move uma tela acima do mostrador do relógio, onde um nicho com uma representação da Virgem Maria e o Menino Jesus situa-se entre duas exposições: a hora em algarismos romanos, e os minutos (em múltiplos de cinco), em algarismos hindu-arábicos. No Dia da Ascensão, as estátuas dos três reis passam na frente das telas. Foram adicionados terraços à torre por Giorgio Massari em 1755, mas tem sido pouco alterada em contrário. Grandes obras de renovação têm obscurecido a estrutura por trás de andaimes durante vários anos. Agora, porém, este relógio extraordinariamente elaborado fica em exposição pública novamente, em pleno funcionamento, e delicia aos visitantes tanto quanto aos venezianos mesmos, como tem feito há mais de 500 anos.

 

 

CAMPANILE DI SAN MARCO

O Campanile di San Marco é a torre do sino da Basílica de São Marcos em Veneza, Itália, localizado na praça (piazza) com o mesmo nome. É um dos símbolos mais reconhecidos da cidade. A torre é de 98,6 metros (323 pés) de altura, e fica sozinha em um canto da Praça de São Marcos, perto da frente da basílica.

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Tem uma forma simples, um eixo quadrado feito em sua maioria com tijolos comuns, 12 metros (39 pés) de largura em cada lado e 50 metros (160 pés) de altura, acima do qual está o campanário em arco, que tem cinco sinos. O campanário é encimado por um cubo, faces alternativas que mostram leões caminhando e a representação feminina de Veneza (la Giustizia: Justiça). A torre é coroada por um capitel piramidal, no topo do qual fica um cata-vento de ouro sob a forma de o arcanjo Gabriel. O campanário atingiu sua forma atual em 1514. Tal como está hoje, porém, a torre é uma reconstrução, concluída em 1912 após o colapso de 1902.

Em julho de 1902, a parede norte da torre começou a mostrar sinais de uma rachadura perigosa que nos dias seguintes continuou a crescer. Finalmente, na segunda-feira, 14 de julho em torno de 9:45hs, o campanário desmoronou-se completamente, também demoliu o Loggetta. Surpreendentemente ninguém foi morto, exceto o gato do caseiro. Devido à posição do campanário, o dano resultante foi relativamente limitado. Além da Loggetta, apenas um canto da Biblioteca Marciana foi destruído. O Piera del Bando, uma grande coluna de pórfiro usada para ler as leis, protegeu a própria basílica.

Na mesma noite, o conselho comunal aprovou mais de 500 mil liras para a reconstrução do campanário. Decidiu-se reconstruir a torre exatamente como ela era, com algum reforço interno para impedir o colapso futuro. O trabalho durou até 6 de março de 1912. O campanário novo foi inaugurado em 25 de abril de 1912, por ocasião da festa do dia de São Marcos, exatamente 1.000 anos depois que as fundações do edifício original foram estabelecidas.

 

 

 

PALAZZO DUCALE

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O Palazzo Ducale é um palácio gótico em Veneza. O palácio era a residência do Doge de Veneza. Suas duas fachadas visíveis olham para a lagoa de Veneza e a Praça de São Marcos, ou melhor, a Piazzetta. O uso de arcadas nos andares inferiores produz um interessante efeito “que desafia a gravidade”.

O atual palácio foi construído desde 1309 até 1424, talvez desenhado por Filippo Calendario. Ele substituiu os antigos edifícios fortificados, dos quais pouco se sabe. Giovanni e Bartolomeo Bon criaram a Porta della Carta em 1442, um portão monumental do gótico tardio, no lado Piazzetta do palácio. Esta porta leva a um pátio central.

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O palácio foi danificado por um incêndio em 1574. No trabalho de reconstrução subsequente, foi decidido respeitar o estilo gótico original, apesar da apresentação de uma alternativa na concepção neo- clássica feita por Palladio. No entanto, existem algumas características clássicas, por exemplo, desde o século XVI, o palácio tem sido ligado à prisão pela Ponte dos Suspiros. Além de ser a residência ducal, o palácio abrigou instituições políticas da República de Veneza, até a ocupação napoleônica da cidade. Veneza era governada por uma elite aristocrática, mas havia uma facilidade para os cidadãos apresentarem queixas por escrito no local conhecido como a câmara Bussola.

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PONTE DEI SOSPIRI

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A Ponte dei Sospiri é uma das muitas pontes de Veneza. A ponte fechada é feita de calcário branco e tem janelas com barras de pedra. Ela passa sobre o Rio di Palazzo e conecta as antigas prisões com as salas de interrogatório do Palácio Ducal. Foi projetado por Antoni Contino (cujo tio Antonio da Ponte havia projetado a Ponte Rialto), e construído em 1602.

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A vista desde a Ponte dos Suspiros era a última vista de Veneza que viram os condenados antes de sua prisão. O nome da ponte, dado por Lord Byron no século XIX, vem a sugestão de que os prisioneiros suspiraram ao ver Veneza desde a janela antes de serem levados para suas celas. Na realidade, os dias das inquisições e as execuções sumárias foram mais pelo tempo que a ponte foi construída, e as celas sob o telhado do palácio foram ocupadas principalmente por pequenos criminosos.

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PONTE DI RIALTO

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A Ponte di Rialto é uma das quatro pontes que se estendem para o Grande Canal, em Veneza, Itália. É a mais antiga ponte sobre o canal, e a mais famosa da cidade.

A primeira ponte sobre o Grande Canal foi uma ponte construída em 1181 por Nicolò Barattieri. E foi chamado como Ponte della Moneta, presumivelmente por causa da Casa da Moeda que estava perto de sua entrada oriental. O desenvolvimento e a importância do mercado de Rialto, na margem leste do canal aumentaram o tráfego na ponte flutuante.

Por isso, foi substituído em 1255 por uma ponte de madeira. Esta estrutura tinha duas rampas inclinadas a uma seção central móvel, que podia ser levantada para permitir a passagem dos navios. A conexão com o mercado levou a uma mudança do nome da ponte. Durante a primeira metade do século XV duas fileiras de lojas foram construídas ao longo dos lados da ponte. Os impostos delas geravam rendas para o Tesouro do Estado, que ajudou a manter a ponte. Manutenção era vital para a ponte de madeira. Ela foi parcialmente queimada na revolta liderada por Bajamonte Tiepolo em 1310. Em 1444 ela entrou em colapso sob o peso de uma multidão assistindo a um desfile de barcos e caiu novamente em 1524.

A ideia de reconstruir a ponte de pedra foi proposta pela primeira vez em 1503. Vários projetos foram considerados ao longo das décadas seguintes. Em 1551 as autoridades solicitaram propostas para a renovação da Ponte Rialto, entre outras coisas. Os planos foram oferecidos por arquitetos famosos, como Jacopo Sansovino, Palladio e Vignola, mas todos envolviam uma abordagem clássica com vários arcos, que foi considerada inadequada para a situação. Mesmo o grande Michelangelo foi considerado como designer da ponte.

A ponte de pedra atual, de um período único, desenhado por Antonio da Ponte, foi finalmente concluída em 1591. É muito semelhante à ponte de madeira que sucedeu. Duas rampas inclinadas levam até um pórtico central. Em ambos os lados do pórtico as rampas cobertas tem fileiras de lojas. A engenharia da ponte foi considerada tão ousada que o arquiteto Vincenzo Scamozzi previu uma ruína para o futuro. A ponte tem desafiado seus críticos e se tornou um dos ícones da arquitetura de Veneza.

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Hoje, há barracas de lojas a ambos os lados da ponte e se tornou uma das principais atrações turísticas de Veneza.
BASILICA DI SANTA MARIA DELLA SALUTE

 

A Basilica di Santa Maria della Salute (Basílica de Santa Maria da Saúde), vulgarmente conhecida simplesmente como a Salute, é uma famosa igreja de Veneza, colocada cenicamente na estreita faixa de terra que fica entre o Canal Grande e o Bacino de São Marcos, na lagoa, visível ao entrar na Praça São Marcos desde a água. Embora tenha o status de basílica menor, o seu perfil, a distintiva decoração e sua localização fazem dela, uma das igrejas mais fotografadas da Itália.

A partir do Verão de 1629, uma onda peste assaltou Veneza, e durante os seguintes dois anos matou quase um terço da população. Exposições repetidas do Sacramento, bem como orações e procissões de igrejas dedicadas a São Roque e São Lourenço Giustiniani, evitaram a continuação da epidemia.

Como resposta arquitetônica ao primeiro assalto da peste (1575-1576), quando Palladio foi convidado para projetar a pintoresca il Redentore dedicada ao Cristo Redentor, o Senado de Veneza em 22 de outubro de 1630, decretou que a igreja seria construída. Não era para ser dedicada a uma mera “praga” ou santo padroeiro, mas á Virgem Maria, que por vários motivos foi pensada para ser a protetora da República.

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Também foi decidido que o Senado iria visitar a igreja anualmente, em 21 de Novembro, a Festa da Apresentação da Virgem, em uma festa conhecida como a Festa della Madonna della Salute, onde os funcionários da cidade desfilavam desde São Marcos até a Salute no sestiere Dorsoduro num serviço em gratidão pela libertação da peste. Este acontecimento cruzava o Grande Canal em um pontão construído especialmente e ainda hoje é um grande evento em Veneza.

 

O desejo de criar um monumento num lugar adequado que permitisse um acesso fácil à procissão da Praça São Marcos levou senadores para selecionar o presente local de entre oito localizações possíveis. O local foi escolhido em parte devido à sua relação com o São Jorge, São Marcos e O Redentor, com o qual forma uma arco. A Salute, emblemática da piedade da cidade, fica ao lado do rústico edifício de um só andar da alfândega, ou Dogana da Mar, o emblema do seu comércio marítimo, e perto do centro cívico da cidade. A disputa com o patriarca, o representante de Roma em Veneza e dono do local da igreja e o seminário, foi resolvida, e a demolição de alguns edifícios começou por 1631. Provavelmente, o diplomata Paolo Sarpi e o Doge Nicolo Contarini compartilhavam a intenção de vincular a Igreja a uma forma menos intimamente associada com o Papado, e finalmente, os Padres Somascanos, uma ordem fundada perto de Bergamo por um nobre veneziano, foram escolhidos.

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Foi realizada uma competição para a concepção do edifício. Dos onze argumentos (incluindo desenhos de Alessandro Varotari, Ignoli Matteo Belli e Berteo), apenas dois foram escolhidos para a rodada final. O arquiteto Baldassare Longhena foi escolhido para desenhar a nova igreja. Ela foi finalmente concluída em 1681, um ano antes da morte de Longhena. O outro projeto finalista foi o de Antonio Smeraldi (il Fracao) e Zambattista Rubertini. Das propostas restantes, as de Belli e Smeraldi eram igrejas convencionais contra-reforma lineares, assemelhando-se ao Palladio’s Redentore e São Jorge Maggiore, enquanto a de Varotari era uma abstração geométrica superficial. A proposta arquitetônica Longhena era um plano concreto, detalhando a estrutura e os custos.

 

 

CANAL GRANDE

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O Canal Grande (Grande Canal) é o maior canal de Veneza. Constitui um dos maiores corredores de tráfego da água da cidade. O transporte público pela água é fornecido por vaporetto e táxis privados de água, mas muitos turistas visitam-na de gôndola. Uma extremidade do canal desemboca na lagoa perto da estação ferroviária Santa Lucia e do outro lado leva á Bacia de São Marcos: entre elas faz uma grande forma de S passando pelos distritos centrais (“sestieri”) de Veneza. Tem 3.800 m de comprimento, 30-90 m de largura, com uma profundidade média de cinco metros.

Nas margens do Grande Canal há mais de 170 belos edifícios, a maioria dos quais datam do século XIII/XVIII e demonstram o bem estar e a arte criada pela República de Veneza. As famílias nobres venezianas faziam enormes gastos para mostrar sua riqueza em adequados palácios: esta competição revela o orgulho dos cidadãos e a ligação profunda com a lagoa. Entre os muitos, encontraremos o Palazzi Barbaro, Ca ‘Rezzonico, Ca’ d’Oro, Palazzo Dario, Ca ‘Foscari, Palazzo Barbarigo e o Palazzo Venier dei Leoni que abriga a Coleção Peggy Guggenheim. As igrejas ao longo do canal incluem a basílica de Santa Maria della Salute. Tradições centenárias, como a Regata Histórica se perpetuam a cada ano ao longo do Canal.

Como a maioria do tráfego da cidade vai ao longo do canal, em vez de cruzando ele, apenas uma ponte atravessou o canal até o século XIX, a Ponte de Rialto. Neste momento, existem mais duas pontes, a Ponte degli Scalzi e Ponte dell’Accademia.

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A quarta ponte controversa (Ponte della Costituzione) desenhado por Santiago Calatrava foi recentemente construída, ligando a estação ferroviária com a área aberta a veículos da Piazzale Roma. Como era habitual no passado, as pessoas ainda podem fazer um passeio de balsa que atravessa o canal em vários, esperando nos cais ou pegar uma simples gôndola chamada traghetto.

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A maioria dos palácios emerge da água sem pavimentação: só navegando se pode contemplar continuamente essa sequência pacífica de fachadas iluminadas pelos reflexos da água, isolado da multidão e “cercado” com as pilhas. O Grande Canal é, portanto, um lugar encantado, contribuindo para a magia de uma das cidades mais amadas do mundo.

 

 

ARSENALE DI VENEZIA

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O Arsenale di Venezia foi um estaleiro e depósito naval que desempenhou um papel preponderante na construção do império veneziano. Foi uma das áreas mais importantes de Veneza, situada no sestiere Castello.

O estabelecimento de estilo bizantino pode ter existido já no século VIII, embora se diz que a atual estrutura foi iniciada em 1104 durante o reinado de Ordelafo Faliero, embora não haja evidência para tal precisa data. Definitivamente existe desde o século XIII e é mencionado no Inferno de Dante. O nome vem provavelmente do árabe dār ṣināʿah (“estaleiro”) e o conceito foi tão islâmico quanto bizantino.

Inicialmente, o estaleiro estadual trabalhou apenas para manter a navios de guerra construídos por particulares, mas em 1320 o Arsenal Novo foi construído, muito maior do que o original. Isto permitiu construir e manter num só lugar toda a marinha do estado e os navios mercantes de maior porte. O Arsenal tornou-se aliás um importante centro de fabricação de corda, enquanto as habitações para os trabalhadores do Arsenal cresceu fora dos seus muros.

Veneza desenvolveu métodos de produção em massa de navios de guerra no Arsenal, incluindo o primeiro sistema de moldura para substituir o casco da primeira prática romana. O novo sistema era muito mais rápido e exigia menos madeira. No pico de sua eficiência no início do século XVI, o Arsenal empregava cerca de 16.000 pessoas que aparentemente eram capazes de produzir cerca de um navio a cada dia, e podiam armar com peças padronizadas uma linha de produção nunca vista até a Revolução Industrial.

Desde o começo, o pessoal do Arsenal também desenvolveu novas armas de fogo, começando com bombardas nos anos 1370 até numerosas pequenas armas usadas contra os genoveses, alguns anos depois. Melhorias nos revólveres levaram a que sua velocidade inicial fosse superior á da besta (e portanto, sua capacidade de penetrar a blindagem). O líder do condottieri veneziano, Bartolomeo Colleoni, é geralmente acreditado como sendo o primeiro a montar a nova artilharia leve do Arsenal sobre os carros móveis para uso em campo.

O principal portão do Arsenal, a Porta Magna, foi construído em 1460 e foi a primeira estrutura clássica construída em Veneza. Talvez, foi feita por Antonio Gambello de um desenho de Jacopo Bellini. Dois leões tomados da Grécia situados ao lado, foram adicionados em 1687. Um dos leões, conhecido como o Leão Piraeus, é notável por ter sido desfigurado com longas inscrições rúnicas esculpidas no século XI por soldados mercenários escandinavos.

O Arsenal Novissimo foi iniciado em 1473. Permitiu a criação de um sistema semelhante a uma linha de montagem, em que os cascos foram construídos nas áreas mais recentes do Arsenal antes de serem equipados no antigo Arsenal.

No final do século XVI, designers do Arsenal, experimentaram com navios de maior porte como plataformas de pesados canhões navais. O mais impressionante foi o Galleass, já usado na central batalha de Lepanto contra os turcos otomanos, e desenvolvido a partir do velho navio mercantil “galera grande”. Era enorme, com velas e remos e era praticamente uma fortaleza flutuante, com canhões montados em carros com rodas ao longo dos lados da forma moderna.

Mas era lento e pesado no campo de batalha, no entanto, alguns nunca foram construídos. O Galeão, também desenvolvido no Arsenal, foi um veleiro armado, uma versão reduzida do mercante “navio redondo”. Foi útil em grandes batalhas navais, mas não em pequenas baías e costas de sotavento frequentes na costa da Dalmácia. Partes significativas do Arsenal foram destruídas sob o domínio de Napoleão, e mais tarde reconstruídas para permitir o uso atual do Arsenal como uma base naval. Ele também é usado como um centro de pesquisa, um espaço para exposições durante a Bienal de Veneza e é a casa de um centro de preservação de navios históricos.

 

 

 

PONTE DELL’ACCADEMIA

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A Ponte dell’Accademia é apenas uma das quatro pontes que cruzam o Grande Canal. Ele atravessa perto do extremo sul do canal, e é nomeado assim pelas galerias da Accademia. Sugerida pela primeira vez logo de 1488, a ponte não foi construída até 1854. A estrutura de aço original, projetada por Alfred Neville, foi demolida e substituída por uma ponte de madeira em 1930, apesar da esperança generalizada de uma ponte de pedra.

A segunda ponte, em uma condição perigosa, foi arrasada e substituída pela ponte atual, de construção idêntica, em 1985.

 

 

BURANO

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Burano é uma ilha na Lagoa de Veneza, embora, como Veneza, poderia mais corretamente ser chamada de arquipélago de ilhas ligadas por pontes. Situa-se perto de Torcello, no extremo norte da Lagoa, e é conhecida por suas rendas. Burano está situada a 7 km de Veneza, fica a uma curta viagem de 40 minutos por lanchas venezianas “vaporetti”. A ilha está ligada ao Mazzorbo por uma ponte. A população atual de Burano é de cerca de 4.000 habitantes.

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A ilha foi provavelmente fundada pelos romanos, no século VI foi ocupada por pessoas de Altino, que lhe deram o nome de um dos portões de sua antiga cidade. Duas histórias são atribuídas à forma como a cidade obteve o seu nome. Uma delas é que a ilha foi inicialmente fundada pela família Buriana, e outra é que os primeiros colonos de Burano vieram da pequena ilha de Buranello, cinco milhas ao sul.

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Embora a ilha logo tornou-se um assentamento de prosperidade, era administrada desde Torcello e não tinha nenhum dos privilégios dessa ilha ou de Murano. Levantou-se em importância apenas no século XVI, quando as mulheres da ilha começaram a fazer rendas com agulhas. A renda foi logo exportada a toda a Europa, mas no século XVIII começou o declínio da indústria que reviveu a partir de 1872, quando uma escola de rendas foi aberta. A renda na ilha cresceu novamente, mas poucos fazem agora renda da forma tradicional, pois é extremamente demorado e, portanto, caro.

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Burano também é conhecido por suas pequenas casas pintadas brilhantemente, populares entre os artistas. O designer Philippe Starck possui três casas. Outras atrações incluem a igreja de São Martino, com um campanário, o Oratório de Santa Barbara e o Museu e Escola de Rendas. As cores das casas seguem um sistema específico proveniente da idade de ouro do seu desenvolvimento, se alguém deseja pintar a sua casa, deve-se enviar um pedido ao governo, que irá responder anunciando as cores permitidas para esse lote. Esta prática resultou numa miríade de cores quentes e pastéis que caracteriza a ilha hoje.

 

 

SAN GIORGIO MAGGIORE

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San Giorgio Maggiore é uma das ilhas de Veneza, situada ao leste da Giudecca e ao sul da ilha principal do grupo. A ilha é rodeada pelo Canal da Graça, Canal da Giudecca, Bacia de São Marcos, Canal de São Marcos e a lagoa do sul. Faz parte do sestiere São Marcos. A ilha foi provavelmente ocupada no período romano, após a fundação de Veneza foi chamada Insula Memmia depois que a família Memmo a comprara. Pelo ano 829 tinha uma igreja consagrada a San Giorgio, assim que foi designado como San Giorgio Maggiore para ser distinguido do San Giorgio em Alga.

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O mosteiro beneditino de San Giorgio foi estabelecido em 982, quando o doge Tribuno Memmo doou toda a ilha ao monge, Giovanni Morosini. Os monges drenaram os pântanos da ilha ao lado da igreja para obter o terreno para a construção. San Giorgio é hoje mais conhecida como Igreja de San Giorgio Maggiore, desenhada por Palladio e iniciada em 1566.

No início do século XIX, após a queda da República, o mosteiro foi praticamente suprimido e a ilha se tornou um porto franco com um novo porto construído em 1812. Tornou-se a casa de artilharia de Veneza. É agora a sede do centro de artes da Fundação Cini, conhecido por sua biblioteca e é também a casa do Teatro Verde, teatro ao ar livre.

 

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